A Privataria do Governo Tarcísio de Freitas e os interesses da burguesia

por Duarte

Seguimos vendo a violência de Tarcísio de Freitas batendo martelo com ódio a cada nova rodada privatização na B3. A privatização das estatais, na verdade, não passa de entrega do patrimônio publico estatal a um monopólio privado.

Em primeiro lugar é preciso entender o porquê de terem surgido empresas estatais principalmente em áreas e negócios que demandam alto investimento e de retorno demorado como as que tem atividades relacionadas a petróleo, mineração, energia, abastecimento de água e saneamento, aviação, indústria de base e pesada) entre outros. O surgimento de estatais nesse ramo aconteceu pois nenhum “empresário nacional” individualmente estava dispostos a investir nessas áreas, então coube ao Estado (burguês) cumprir esse papel.

Só para se ter ideia, o Brasil não produzia caminhão até que em 1942 Getúlio Vargas, devido a segunda guerra mundial, inaugurou em Xerém, no Distrito de Duque de Caxias, a Fabrica Nacional de Motores – FNM, que tinha como objetivo principal produzir motores aeronáuticos durante a II Guerra Mundial.

A guerra acabou oficialmente em setembro de 1945, e a FNM fez uma parceria com a fabricante de caminhões Italiana Isotta Fraschini para produzir o primeiro caminhão brasileiro. As grandes montadoras Mercedes Benz, Scania, Ford e Chevrolet, por sus vez, só começaram a produzir a partir de 1956 quando tiveram garantido o monopólio de produção e distribuição no mercado nacional, inclusive tiveram impacto determinante na priorização do transporte para rodoviário em detrimento do ferroviário (1 CPDOC/FGV).

Essa referência é para demonstrar os interesses do empresariado nacional, mesmo na indústria de bens de consumo e a situação é ainda pior no ramo de infraestrutura da indústria.

“Uma mão lava a outra”: a corrupção e a privatização caminham juntas

Vamos demonstrar a “eficiência” do projeto privativista e o papel que cumprem os governos que defendem esse projeto. Vamos usar como exemplo o caso da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e depois, a sua compra pela SABESP.

Atualmente, o tal “mercado” se viu envolvido na falcatrua do Banco Master do banqueiro Daniel Vorcaro. Só por “coincidências que acontecem no universo”, o cunhado de Vorcaro doou, na campanha eleitoral de Tarcisio de Freitas, dois milhões de reais, se tornado o maior doador da campanha eleitoral do governador, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Pois bem, a EMAE, em sua primeira privatização em 19 de abril de 2024, foi entregue por R$ 1,04 bilhões em leilão de privatização na Bolsa de São Paulo, a B3. Ela foi arrematada pelo Fundo Phoenix que tem como seu maior cotista Nelson Tanure. Esse fundo é administrado pela Corretora Master, do Banco Master.

A própria CVM (Comissão de Valores Imobiliários) abriu uma investigação para apurar o extraordinário “milagre da multiplicação” que tiveram as ações da Ambipar, que alcançaram, em tempo recorde, 930% em 2024 e foram usadas como garantia para a privatização da EMAE.

A CVM também tem investigado uma atuação coordenada entre a Ambipar, seu controlador Tercio Borlenghi, o Banco Master e fundos ligados a Nelson Tanure para inflar artificialmente o preço das ações da Ambipar, usando-as como garantia em financiamentos para a aquisição da EMAE, o que gerou um processo sancionador e suspeitas de manipulação. A área técnica da CVM aponta um movimento orquestrado para valorizar os papéis, atendendo a interesses dos envolvidos, e abriu um processo contra executivos da Ambipar por recompra excessiva de ações, enquanto o colegiado da CVM teve decisões controversas sobre a necessidade de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) (3.CVM/site AUVP Analítica).

O que ocorreu nesse caminho é que o candidato ao governo de São Paulo, Tarcisio de Freitas recebeu uma doação para campanha eleitoral de R$ 2 milhões, junto com outra de R$ 3 milhões para seu padrinho político Jair M. Bolsonaro. Assim que foi eleito, organizou a privatização da EMAE e quem venceu o leilão foi exatamente o grupo que fez a maior doação da campanha e usando ações manipuladas como garantía de compra, mas isso tudo é só mera “coincidência”.

Recentemente, essa história ganhou mais um capítulo. A Sabesp comprou a EMAE por R$ 1,1 bilhão, sendo que a EMAE foi privatizada por R$ 1,04 bilhão, equanto o próprio mercado e o governo paulista apontavam valor potencial de R$ 10 Bilhões (4. Sintaema). O fundo Phoenix, por sus vez, assim que se apossou da EMAE lá em 2024, zerou o caixa de R$ 400 milhões da ex-estatal.

Privatização é corrupção legalizada a serviço dos interesses dos capitalistas

A conclusão é que a burguesia nacional além de ser subserviente ao imperialismo na super exploração dos trabalhadores brasileiros, não faz a menor cerimonia para surripiar o patrimônio do povo. Inclusive, não contente com o que abocanha, monta esquemas para ludibriarem seus próprios comparsas da Faria Lima, inflando a valorização das ações. O problema é que mesmo com eleições a cada dois anos, os que serão eleitos já receberam “doações” que não passam de investimento em “seus candidatos” e, assim que eleitos, vão “bater o martelo” e facilitar a vida dos “empresários” bem sucedidos e cheios de “expertise”.

É por isso que nós combatemos as políticas de privatização, como do governo Tarcísio (e de todos os governos), que só servem para enriquecer poucos indivíduos às custas da classe trabalhadora, precarizando serviços essenciais como saneamento e saúde.

Se o Estado hoje serve apenas como um balcão de negócios para os empresários e atende somente aos interesses dos financiadores das campanhas dos políticos, nós defendemos construir um outro tipo de Estado, sob controle dos trabalhadores, onde os recursos e a indústria nacional possam ser colocados à serviço de nossas necessidades.

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