CORI-CI
Os EUA e o Estado sionista iniciaram uma guerra contra o Irã, por meio de ataques aéreos e com mísseis contra vários pontos em Teerã e outras cidades do país. Trump afirmou que seria “o primeiro de vários dias de ataques”.
Um dos objetivos era matar os líderes políticos e militares iranianos. Até agora, os meios de comunicação informam que o ataque conseguiu eliminar o ministro da Defesa (Amir Nasirzadeh) e o comandante da Guarda Revolucionária (Mohammed Pakpour). Sobre Ali Khamenei, principal líder político-religioso iraniano, há informações contraditórias: meios israelenses informaram que ele teria morrido durante o ataque. Trump afirmou o mesmo em declarações públicas. Porém, isso não foi confirmado por nenhum outro meio de internacional nem pelo governo iraniano. Junto a isso, a imprensa internacional informou numerosas vítimas civis, como 51 meninas assassinadas por um bombardeio contra uma escola primária no sul do país.
Com sua habitual hipocrisia imperialista, a entente Trump–Israel afirma que se trata de um “ataque preventivo” contra o Irã porque este país “representa uma ameaça para a paz na região e no mundo”. O verdadeiro objetivo desse ataque é outro e, para compreendê-lo, é necessário voltar no tempo.
Em 1979, uma grande revolução operária e popular derrubou o regime do Xá (rei) Mohammad Reza Pahlevi, desde 1941 um fantoche do imperialismo ianque. O curso dessa revolução levou depois à instalação do regime teocrático dos aiatolás. Desde então, o imperialismo ianque tem “contas pendentes” com esse regime. Nesse sentido, seu objetivo estratégico é derrubá-lo e substituí-lo por um novo regime fantoche. Há alguns anos, o Estado sionista se associou ativamente a esse objetivo. Diante das recentes mobilizações massivas dos trabalhadores e do povo iraniano contra o regime dos aiatolás, a entente Trump–Netanyahu considerou que estavam dadas as condições para avançar nessa direção.
Até agora, o Irã respondeu com ataques de drones e mísseis contra bases militares norte-americanas na Jordânia, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait. Diante disso, o Wall Street Journal publicou declarações de altos oficiais ianques expressando que “o Exército dos Estados Unidos ficou em choque com as capacidades do Irã, que atacou todas as suas bases na região”. Em outras palavras, diferentemente do ocorrido na Venezuela, onde o regime chavista se entregou sem luta, no Irã a situação será muito mais dura e com um custo muito maior para o imperialismo.
A isso, soma-se que Trump tem muitos problemas no próprio país. A situação é muito diferente do momento em que Bush lançou sua “guerra ao terror” (2002). Bush havia conquistado grande apoio popular para as invasões do Afeganistão e do Iraque, e a burguesia imperialista norte-americana estava unificada em torno de sua política. Atualmente, o governo Trump enfrenta grandes mobilizações contra si.[1]
Ao mesmo tempo, diferentemente daquelas invasões, a burguesia imperialista norte-americana está dividida sobre essas ações militares em outros países, como mostrou um editorial do New York Times e as votações no Congresso diante do que Trump fez na Venezuela.
Para além dessas considerações, estamos diante de uma guerra aberta entre a entente EUA–Israel e o Irã. É sobre esse conflito bélico que todos devem assumir uma posição. As potências imperialistas europeias e o governo brasileiro limitaram-se a dizer que o ataque estava “equivocado” e pediram “negociações diplomáticas entre as partes”. Por sua vez, Mark Carney, primeiro-ministro canadense, apoiou abertamente o ataque. O mesmo fez o presidente argentino Javier Milei.
O regime russo de Vladimir Putin (supostamente aliado militar do Irã) limitou-se a fazer declarações de repúdio e também pediu uma “saída negociada”. O mesmo fez o regime chinês, que supostamente tem um enfrentamento total com os EUA. Nenhum dos dois mexeu um dedo para apoiar militarmente o Irã.
Da nossa parte, não temos nenhuma dúvida: diante do ataque EUA–Israel, defendemos o Irã. Isso nos coloca em unidade de ação militar com o regime dos aiatolás para derrotar esse ataque. Chamamos os trabalhadores e os povos do mundo a se mobilizarem em apoio ao Irã.
Nenhuma confiança no regime dos aiatolás
Isso não significa confiar no regime dos aiatolás como direção político-militar do conflito bélico. E essa desconfiança se deve a várias razões. A primeira é que se trata de uma ditadura capitalista que condena à pobreza e à fome os trabalhadores e o povo iranianos, e oprime permanentemente as mulheres e LGBTs. Por isso, recentemente houve imensas mobilizações de massas contra o regime, que este reprimiu de modo sangrento. A CORI-CI apoiou claramente a luta do povo iraniano.[2] Nessa situação, o regime dos aiatolás chega muito debilitado para apresentar-se diante das massas como o “comandante” da unidade e da defesa do Irã.
Por outro lado, apesar das muitas ameaças de Trump, em nenhum momento o regime deixou de negociar com o imperialismo norte-americano[3]. Ou seja, por um lado, não preparou seu povo para o ataque que vinha. Por outro, isso mostra que não está disposto a levar até o fim a luta contra o imperialismo; ao contrário, está disposto a fazer concessões e ceder. Por isso, vemos a necessidade de que a classe operária e o povo iranianos tomem em suas mãos a tarefa de enfrentar o imperialismo e, nesse marco, avancem em sua mobilização e organização independentes, assentando as bases para a construção de um partido revolucionário. De modo que, derrotado o ataque atual, possam retomar em melhores condições a luta contra a ditadura dos aiatolás.
Com essas considerações, reiteramos que defendemos o Irã do ataque que está sofrendo e, diante dele, estamos em unidade de ação no campo militar com o regime dos aiatolás.
Uma vitória do Irã nesta guerra contra o imperialismo ianque e o Estado sionista será uma vitória de todos os trabalhadores e das massas do mundo — especialmente para os trabalhadores e o povo palestino.
28/02/2026
[1] https://corici.org/como-la-rebelion-contra-el-ice-puede-derribar-a-trump
[2] https://corici.org/apoyemos-la-lucha-de-las-masas-iranies-contra-la-dictadura-de-los-ayatolas
[3] https://www.rtve.es/noticias/20260226/mundo-contiene-respiracion-iran-eeuu-negocian-escollos-evitar-escalada-oriente-medio/16956566.shtml]

