No primeiro turno muitos trabalhadores se perguntaram qual a saída para os seus problemas e se havia alguma candidatura em que pudesse votar para resolvê-los. Estamos falando de um Brasil que tem 82% das famílias endividadas[1], onde 69,1% das pessoas vivem com até 2 salários mínimos[2] e com uma simples ida ao mercado as pessoas percebem que o custo de vida está crescendo[3].
Nós da Voz Operária Socialista (VOS) fomos para a porta das fábricas discutir com a classe trabalhadora quais seriam as medidas necessárias para resolver esses problemas: fim da escala 6×1, redução de jornada de trabalho sem redução salarial, aumento do salário mínimo para o salário mínimo necessário de acordo com o DIEESE, que em setembro já está em R$ 7750,01 (mais de R$ 6000,00 acima do salário mínimo atual)[4], a necessidade de que as terras raras do Brasil não sejam rifadas para o capital estrangeiro e nacional. Discutimos que tudo isso interessa apenas para a classe trabalhadora, em especial para classe operária que toca a produção de riquezas do país, tem a força de parar essa produção e levar essas lutas e muitas outras adiante.
Para isso no primeiro turno apresentamos a candidatura de Frodo e nas demais candidaturas tivemos um critério de independência de classe e apresentamos nossos acordos e diferenças com as candidaturas do PSTU, nas quais votamos e chamamos o voto.[5] Temos muito orgulho da nossa primeira campanha eleitoral como VOS, das discussões que fizemos com a classe trabalhadora e com a classe operária em especial. Seguiremos após as eleições divulgando o nosso programa e discutindo com a nossa classe.
Chegamos ao segundo turno com duas candidaturas à presidência: Lula (PT) e Flavio Bolsonaro (PL). De um lado Lula, o atual presidente, que está no seu terceiro mandato (o quinto mandato de seu partido), a maior parte dos últimos 30 anos do Brasil teve o PT no governo federal. Do outro lado Flavio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro (presidente de 2019 a 2022), que vem para as eleições pois seu pai está preso por tentativa de golpe e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, está escondido nos EUA para não ser preso.
No segundo turno se repete uma tendência que já foi observada nas pesquisas e confirmada nas urnas: uma forte polarização ao redor das rejeições de um desses dois pólos. A maioria absoluta da classe trabalhadora votou em duas alternativas: 1) Lula, pois não quer Bolsonaro, lembra da pandemia, lembra da tentativa de golpe, dos ataques que esse governo fez declaradamente aos setores oprimidos, etc; 2) Bolsonaro, pois não quer Lula, sabe que o PT foi governo em 18 dos últimos 30 anos, tinha esperanças de melhoria da sua condição de vida e não teve isso, o salário não acompanhou o aumento do custo de vida, setores oprimidos não tiveram suas demandas resolvidas (no estado da Bahia, onde o PT governa há décadas, negros são mais de 93% das mortes por intervenção policial)[6]. E claro, também há um setor, minoritário pelo que as pesquisas indicaram, que vota em um dos dois pois realmente se identifica com eles e os apoia.
Frente a esse cenário e o que representam essas duas alternativas postas muitos trabalhadores estão tomando sua decisão: um quarto governo Lula, sexto do PT, ou um segundo governo da família Bolsonaro? Nós da VOS dizemos à classe trabalhadora que nenhum desses governos são alternativa e chamamos a não votar em nenhum dos dois, nesse texto explicaremos nossa posição e queremos dialogar com a classe trabalhadora que opta (com críticas ou não) por uma dessas alternativas.
Sistema em crise
Nos últimos anos vem aumentando a crise do sistema capitalista e da democracia burguesa em especial. Mais recentemente no Brasil ficou escancarada a crise de todos os setores que a dirigem com o escândalo do Banco Master. Todos os lados tem seus representantes no whatsapp do Vorcaro: PT, Bolsonarismo, Centrão, STF estavam aí e nas festinhas do banqueiro.
Esse cenário levou a posicionamentos de candidatos na eleição como “anti-sistema”, ou falas que dizem que “o sistema está contra nós” vem de todos os lados. Essa afirmação não para em pé de qualquer lado. O PT é protagonista da Nova República, governou o país por 18 anos, governou diversos governos estaduais ao longo dos últimos anos. O Bolsonarismo também não tem nada de anti-sistema, no máximo se pode dizer que foi um figurante por muitos anos com Jair Bolsonaro empregando toda sua família em gabinetes e outros cargos legislativos. Também está mergulhado até o pescoço em escândalos de corrupção.
Isso se reflete numa descrença geral, inclusive a taxa de abstenção foi a maior observada desde 1998: 24,8%[7], onde parte dessa abstenção certamente é de um setor de trabalhadores que não vê em nenhum lado a solução de seus problemas ou o representante do enfrentamento ao sistema.
O que a votação do primeiro turno nos indica
Os votos da urna não aparecem como trabalhadores ou burgueses, o sistema eleitoral nos apresenta a todos como cidadãos, independente das profundas diferenças que temos entre aqueles que vendemos nossa força de trabalho para sobreviver e aqueles que vivem de luxo nos explorando. Por isso a mera contagem eleitoral não nos diz com certeza qual foi o comportamento médio da classe trabalhadora, mas é possível tirar alguns indicativos.
O avanço eleitoral do PL é evidente: elegeu 121 deputados federais, a maior bancada de um único partido desde a Constituição de 1988, e terá 28 senadores a partir de 2027, também a maior bancada do Senado. São 149 parlamentares, cerca de um quarto do Congresso. O PT, segunda maior bancada da Câmara, elegeu 70 deputados.
Nas principais cidades industriais do país, o PT vem perdendo terreno de forma generalizada. Entre os 100 municípios com mais empregos na indústria, Lula teve votação menor em 92 deles em comparação com 2022. O número de cidades em que ele ficou à frente caiu de 27 para 22. Somadas, essas cidades deram a Lula cerca de 1 milhão de votos a menos que há quatro anos. No mesmo período, Flávio Bolsonaro teve cerca de 780 mil votos a mais que Jair em 2022.
No ABC paulista, berço do próprio PT, o movimento é claro. Somando Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá, Lula foi de 47,4% dos votos válidos em 2022 para 44,9% agora, cerca de 73 mil votos a menos (de 725 mil para 653 mil). O candidato bolsonarista subiu de 39,8% para 43,8%, e a vantagem de Lula na região, que era de quase 8 pontos, caiu para 1. Em São Bernardo do Campo, cidade da Volkswagen Anchieta e do Sindicato dos Metalúrgicos que Lula presidiu, ele caiu de 49,2% para 46,8%, perdendo 25 mil votos. Em Santo André, Flávio venceu com 47,2% contra 41,2%. Mesmo em Diadema, onde o PT ainda tem maioria, Lula recuou de 56,3% para 52,4%.
O padrão se repete em outros polos industriais:
- Betim (MG), sede da Fiat/Stellantis: Lula venceu em 2022 por margem mínima (45,8% a 45,4%) e agora perdeu por 41,2% a 48,7%.
- Caxias do Sul (RS), polo metalmecânico: Lula foi de 31,8% para 26,9%.
- Gravataí (RS), onde fica a fábrica da GM: Lula foi de 38,2% para 33,6%.
- Araucária (PR), da refinaria Repar: Lula foi de 43,3% para 36,4%.
- Osasco (SP): virou para o bolsonarismo, com Lula passando de 45,7% para 43,3% e Flávio de 41,2% para 45,5%.
Esses dados não medem diretamente o comportamento da classe operária, mas apontam numa mesma direção: um desgaste do PT nas principais cidades industriais, e um fortalecimento do bolsonarismo no Congresso. É uma tendência que também pode ser observada nas portas de fábrica e nas assembleias nos últimos anos, onde o afastamento em relação ao PT aparece de forma mais nítida do que nas urnas.
Há quem olhe para essa realidade e veja um avanço inquestionável do conservadorismo, que os trabalhadores viraram fascistas ou qualquer coisa do tipo. Não acreditamos que seja assim. O que sim acontece é o fortalecimento de uma polarização tendo como personagens principais Lula e Bolsonaro como, aos olhos da população, representantes da esquerda e da direita. E no marco dessa polarização o pólo que seria a esquerda, que seria em prol dos trabalhadores, tem 18 anos nas costas de governo onde não só não resolveu o problema dos trabalhadores, mas foi a cara dos ataques aos seus direitos.
O PT não governou para os trabalhadores
Após cinco mandatos do PT, há uma pergunta que precisa ser respondida: o PT governou para quem? Os bancos tiveram lucros recordes nos governos petistas, enquanto o trabalhador vê o custo de vida subir e não sabe como fechar o mês. As reformas trabalhista e da previdência, que o PT prometeu combater, seguem de pé. A desilusão da classe com o PT não vem do nada.
Hoje a esquerda ataca com razão a proposta de Flavio Bolsonaro de flexibilizar direitos e deixar o trabalhador “negociar com o patrão”. Mas essa realidade já existe sob o governo Lula para milhões de entregadores e motoristas de aplicativo. Estão desamparados em caso de acidente, onde ficam sem indenização e sem renda enquanto se recuperam, podendo até perder suas motos ou carros e tendo que arcar com toda a manutenção. Esse já é o cotidiano da parcela mais precarizada da classe.
Lula teve nos últimos anos, muito devido à política imperialista de Trump sobre a América Latina e sobre o Brasil e pela postura entreguista e subalterna do bolsonarismo, um mote de soberania. Mas o governo que se apresenta como defensor do Brasil na prática não impede a venda das terras raras para o capital estrangeiro e permite que as Big Techs construam seus datacenters no nosso país sem grande resistência.[8] Permitiu que empresas como a Uber operassem por fora da legislação trabalhista e mantém a Petrobras com grande parte de suas ações nas mãos de acionistas estrangeiros.
Os setores mais oprimidos da classe sentem isso com mais força. A terceirização ampliada precariza principalmente os trabalhadores negros e dificulta sua organização sindical. A aliança com as igrejas evangélicas rifou pautas históricas das mulheres e da população LGBT, como a legalização do aborto. A aliança com o agronegócio significou uma política de guerra contra os povos indígenas. E o governo que diz defender a democracia usou a GLO e mantém a lei antiterrorismo, sancionada por Dilma, que pode ser usada contra quem luta. Um governo que permite que em seu país lutadores pró-Palestina e que se posicionam contra o genocídio perpretado por Israel sejam perseguidos judicialmente, como é o caso de Zé Maria do PSTU e de muitos outros.
Mas o pior saldo do PT não é só o que ele deixou de fazer, mas é o que fez com a classe trabalhadora. Ao cooptar as centrais sindicais e os movimentos sociais, ao canalizar todas as pautas para dentro do regime e conter as lutas que poderiam se chocar com seu próprio governo, num movimento de domesticar a classe operária, o PT desarmou a classe.
Isso tem consequências, pois nos deixa mais despreparados para enfrentar projetos autoritários como o de Bolsonaro, que também já foi governo e que já tentou dar um golpe, como discutiremos na próxima seção
Os ataques aos trabalhadores e a ameaça autoritária de Bolsonaro
O bolsonarismo chegou ao governo como alternativa declaradamente à direita do PT, com promessas de resgatar o país, de ter em Jair Bolsonaro um “mito” que salvaria o país. Sempre foi uma de suas principais pautas a segurança, uma das maiores preocupações da classe trabalhadora. O Brasil tem números de guerra de violência e o trabalhador se vê perdido e ameaçado no meio disso tudo entre tráfico, milícia, violência policial. A violência é algo muito presente no cotidiano da classe trabalhadora brasileira e tem um anseio por respostas nesse tema, e essa realidade segue piorando muito ao longo dos anos, tanto pelo que os dados indicam como pela percepção geral da população.[9]
Para as mulheres trabalhadoras a realidade foi ainda pior no governo Bolsonaro, o Brasil bateu recorde de feminicídios no seu governo: uma mulher morta a cada 6 horas[10] (cabe registrar que esse recorde foi quebrado em todos os anos seguintes do governo Lula[11]). O governo Bolsonaro não se preocupou em dar resposta para esse problema, foi tanto no discurso como na prática na contramão. O orçamento para o enfrentamento à violência contra a mulher foi esvaziado.[12]
O discurso de combater o crime organizado e as milícias não poderia ser mais hipócrita. A família Bolsonaro tem laços fortes com a milícia. Flávio empregou em seu gabinete na Alerj a mãe e a ex-mulher de Adriano da Nóbrega, chefe do Escritório do Crime. E homenageou o mesmo Adriano com a Medalha Tiradentes quando ele estava preso. Quem promete acabar com a milícia tem a milícia dentro de casa. Os milicianos envolvidos com o assassinato de Marielle tinham coincidentemente relações com um ou outro sujeito de sobrenome Bolsonaro.
O balanço do governo Bolsonaro para os trabalhadores também está fresco na memória. Foi ele quem aprovou a reforma da Previdência em 2019, obrigando a classe a trabalhar mais para se aposentar com menos. Na pandemia, chamou a covid de gripezinha, zombou dos mortos, sabotou o isolamento e atrasou a compra de vacinas. A memória desse período é muito viva e triste para o trabalhador que perdeu pessoas queridas, amigos e familiares, o Brasil chegou a quase 700 mil mortos. Houve ainda diversos cortes como na educação, nas universidades e na saúde.
Além de todo esse seu projeto que é claramente contra a classe trabalhadora também tem sim um projeto autoritário. Isso não se trata mais de discurso, Jair Bolsonaro está preso por tentar um golpe de Estado, e Flávio não é uma ruptura com o seu pai no projeto bolsonarista de poder. A classe trabalhadora está certa de reconhecer no bolsonarismo um projeto autoritário a ser combatido. Toda unidade de ação para lutar contra ataques às liberdades democráticas é necessária. Esse projeto precisa ser combatido, a questão, que discutiremos a seguir, é como.
Como combater o projeto de Flavio Bolsonaro?
Esse projeto autoritário não é novidade na história recente do Brasil, já foi uma preocupação nas duas últimas eleições pelo discurso que o bolsonarismo sempre pregou. Em 2022 ficou claro que isso não era apenas retórica eleitoral, tivemos bloqueios de rodovia, acampamentos em frente a quartéis, minuta do golpe, tentativa de convencimento das Forças Armadas e a invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro. Bolsonaro não contou com apoio do imperialismo americano para seu projeto, não obteve maioria entre os comandantes das Forças Armadas e não conseguiu levar adiante seu projeto, no 8 de janeiro sequer estava no Brasil porque sabia o que estava pra acontecer e deixou que seus apoiadores levassem as bombas em seu lugar.
O PT durante os episódios mais agudos desse processo foi inoperante, não organizou a classe trabalhadora para desmontar os bloqueios, não organizou a classe a partir dos sindicatos que dirige para enfrentar uma ameaça golpista, não fez nada. Ficou contente com sua vitória eleitoral, disse à classe trabalhadora que deixasse esse trabalho para a polícia, que isso era o suficiente para barrar esse projeto e que agora o Brasil ia voltar a sorrir com seu governo.
Essa política foi posta à prova e estamos vendo o balanço dela atualmente. O PL de Bolsonaro se fortaleceu institucionalmente, o bolsonarismo volta a aparecer como alternativa ao PT após 4 anos em que a classe trabalhadora sentiu que sua vida não está melhor. O bolsonarismo 4 anos atrás perdeu a eleição e foi adiante na sua tentativa golpista, sua derrota eleitoral não o impediu de fazer isso. E 4 anos depois o PT já se mostrou que não pode ser uma direção que vá organizar a classe operária para resistir a um golpe, ela não vai se dar a tarefa de construir comitês nos locais de trabalho, de preparar os sindicatos para a luta e de organizar a auto-defesa. O PT já se deu outra tarefa há anos: dirigir o Estado capitalista brasileiro. E já convenceu na base do aumento dos lucros um setor da burguesia brasileira e imperialista que é bom para eles nessa tarefa.
Alguns setores sim se mobilizaram contra o governo Bolsonaro nos últimos anos e participam de mobilizações de rua contra a ultradireita. Achamos que a auto-organização dos trabalhadores e especialmente da classe operária é essencial. Mas acreditamos que ir às ruas para tentar recompor a base eleitoral do PT não é o caminho para barrar avanços autoritários no país. Vemos várias direções como a da CUT e de outras centrais sindicais que apoiam o governo chamando essas manifestações, o que essas organizações deveriam fazer mesmo era chamar uma greve geral contra a escala 6×1 e pelos direitos que o próprio governo Lula não garantiu, que organizem a auto-defesa dos trabalhadores nos seus sindicatos. Essa sim seria uma demonstração de força da classe trabalhadora, que nenhum governo, de Lula ou de Flávio, poderia ignorar.
Lula e Flavio Bolsonaro entregam a soberania do Brasil para o Imperialismo
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, isso sem contar os minerais estratégicos e críticos. São minerais usados em ímãs de carros elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos e na indústria militar, quem tem a primeira maior reserva é a China. Isso faz com que muitos países, inclusive a maior potência imperialista do mundo, os EUA, queiram tomar para si as terras raras brasileiras. A corrida por eles já começou aqui: até junho de 2026 havia 2.727 pedidos de pesquisa de terras raras na ANM, 86% deles feitos de 2023 para cá. Empresas estrangeiras concentram 42% desses pedidos e controlam 31 dos 45 projetos mais avançados[13]. Só nos primeiros cinco meses de 2026 foram 401 pedidos, quase o mesmo número registrado entre 1975 e 2020[14].
O governo Lula, que fez da soberania seu mote de campanha, assistiu a essa corrida de braços cruzados. Em abril, a americana USA Rare Earth comprou por US$ 2,8 bilhões a Serra Verde, em Goiás, única mineradora que produz terras raras em escala comercial no país, e a compra passou sem nenhuma supervisão do governo brasileiro[15]. Meses antes, o próprio governo dos EUA tinha anunciado 565 milhões de dólares de financiamento para a mina, com opção de virar sócio dela.[16] Lula tinha poder para intervir e não o fez, em nome da “segurança jurídica” dos investidores[17]. Em maio, Lula disse a Trump que as terras raras brasileiras serão compartilhadas “com quem queira fazer investimento no Brasil” e completou: “nós não temos preferência”[18]. Para o PT, soberania quer dizer escolher a qual capital entregar nossas riquezas.
Flávio Bolsonaro nem disfarça. Em reunião com Trump prometeu “parceria estratégica de longo prazo nesse setor, com investimento protegido” e apresentou o Brasil como “a única alternativa real à China para o mundo livre”[19]. Seu aliado André Marinho escreveu um memorando de parceria com os EUA em minerais críticos para um eventual governo de Flávio Bolsonaro e foi recebido pelo vice-presidente americano J.D. Vance.
Flávio Bolsonaro é absolutamente entreguista, oferece de bandeja as terras raras e a soberania nacional. Mas Lula deixa o caminho aberto e chama isso de soberania, foi durante seu governo o boom de requerimentos de mineração sobre terras raras e que empresas dos EUA e Austrália entraram com tudo como parte de um plano do Imperialismo para as terras raras brasileiras.[20] Seria uma ótima oportunidade de ir pra além do discurso na defesa da soberania, mas não fez nada.
Trump já mostrou que entende que a América Latina é o seu quintal e faz o que quer e como quer. Nenhum dos dois vai enfrentar a intervenção de Trump no Brasil. Essa tarefa cabe à classe trabalhadora, organizada nas fábricas, nos sindicatos e ao lado das comunidades atingidas pela mineração, para exigir a anulação da venda da Serra Verde e que as terras raras não sejam rifadas nem para o capital estrangeiro nem para o nacional.
A classe operária está num processo de superação do PT, é necessário construir uma alternativa socialista e operária independente do PT
Os dados do primeiro turno e o que vemos nas portas de fábrica apontam na mesma direção. Um setor crescente da classe operária está se afastando do PT. Esse afastamento pode ser capturado pela extrema direita, como já vem acontecendo eleitoralmente em parte. Ou pode se transformar na construção de uma alternativa própria, independente do PT e da burguesia, que lute por um programa operário e socialista. Esse programa inclui o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem redução salarial, o salário mínimo do DIEESE e uma soberania real sobre as riquezas do país, como as terras raras.
Por isso chamamos a classe trabalhadora a não votar nem em Lula nem em Flávio Bolsonaro neste segundo turno. Nenhum dos dois governará para nós. Precisamos construir uma alternativa operária e socialista para a classe operária ou sempre estaremos reféns do mal menor porque é o que dá pra eleger.
A tarefa para a classe operária que votará em Lula, em Bolsonaro, nulo ou que irá se abster é a mesma. É unir a classe operária, se auto-organizar nos locais de trabalho, nos sindicatos e nos bairros. A tarefa não pode ser recompor a base eleitoral do PT para a próxima eleição. Precisa ser construir a força capaz de enfrentar tanto os ataques de um quarto governo Lula quanto a ameaça autoritária de um governo Flávio.
Esse é o caminho que a Voz Operária Socialista se propõe a construir e que pode nos dar uma perspectiva de resolução dos nossos problemas. Sabemos que não é o caminho mais fácil nem o mais rápido, mas é o único que depende das nossas próprias forças, e não da boa vontade de quem nos explora. Convidamos todos os trabalhadores que compartilham dessa preocupação a construir conosco. Por isso chamamos:
- Voto Nulo: Nem Lula nem Flavio!
- Fora Trump da América Latina!
- Organizar os trabalhadores para lutar pela soberania do Brasil! Terras raras para os trabalhadores!
- Unir a classe para combater toda forma de opressão!
[1] https://veja.abril.com.br/economia/82-das-familias-brasileiras-estao-endividadas-maior-nivel-desde-fevereiro/
[2] https://valor.globo.com/brasil/artigo/quantos-ganham-1-salario-minimo-no-brasil-confira-a-divisao-dos-trabalhadores-por-faixa-de-renda.ghtml
[3] https://www.infomoney.com.br/politica/sete-em-cada-dez-brasileiros-dizem-que-o-custo-de-vida-aumentou-aponta-meio-ideia/
[4] https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html
[5] https://vosbrasil.org/faremos-campanha-pelo-hertz-com-nossos-acordos-e-nossos-debates/
[6] https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/07/01/estudo-aponta-que-pessoas-negras-representam-maioria-das-mortes-por-intervencao-policial-na-bahia.ghtml
[7]https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/10/04/abstencoes-brancos-e-nulos-disputa-presidencial-1-turno-2026.ghtml
[8]Recomendamos a leitura desses dois artigos produzidos por militantes da VOS sobre terras raras e sobre o REDATA: https://vosbrasil.org/terras-raras-e-por-que-somos-pobres/ e https://vosbrasil.org/redata-o-projeto-que-promete-recolonizar-o-brasil-via-data-centers/
[9]https://veja.abril.com.br/brasil/oito-em-dez-brasileiros-veem-aumento-da-violencia-em-dois-anos-diz-quaest/
[10]https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2023/03/08/brasil-bate-recorde-de-feminicidios-em-2022-com-uma-mulher-morta-a-cada-6-horas.ghtml
[11]https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/brasil/brasil-bate-recorde-de-feminicidios-pelo-quarto-ano-seguido/
[12]https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/09/29/governo-bolsonaro-propoe-94percent-menos-de-recursos-no-orcamento-para-combate-a-violencia-contra-mulheres-diz-levantamento.ghtml
[13]https://reporterbrasil.org.br/2026/08/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-terras-raras-no-brasil/
[14]https://www.infomoney.com.br/brasil/anm-pedidos-por-terras-raras-disparam-em-2026-e-ja-alcancam-84-do-total-de-45-anos/
[15]https://forbes.com.br/forbes-money/2026/05/acordo-sobre-minerais-criticos-entre-eua-e-brasil-ainda-esta-fora-de-alcance/
[16]https://reporterbrasil.org.br/2026/08/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-terras-raras-no-brasil/
[17]https://www.cnnbrasil.com.br/infra/governo-descarta-intervencao-em-venda-da-serra-verde-de-terras-raras/
[18]https://agenciainfra.com/blog/lula-diz-a-trump-que-compartilha-terras-raras-com-quem-investir-no-brasil/
[19]https://www.cnnbrasil.com.br/politica/terras-raras-se-eleito-flavio-diz-que-fara-parcerias-estrategias-com-eua/
[20]https://reporterbrasil.org.br/2026/08/mineradoras-estrangeiras-detem-4-a-cada-10-projetos-terras-raras-no-brasil/

