por Frodo
Desde o final de 2025 temos acompanhado o caso do Banco Master e toda a teia de relações econômicas e políticas que estão sendo reveladas. As investigações ainda estão em andamento, mas sem dúvidas já temos um escândalo financeiro e político de grandes proporções, e que só aumenta a cada dia.
O que este caso nos revela sobre o funcionamento do capitalismo, do Estado e da “democracia” no Brasil? Vejamos.
O que é o caso do Banco Master?
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 e seu dono, o empresário Daniel Vorcaro, foi preso. Ele estava prestes a embarcar em jatinho particular rumo a Dubai, fugindo das investigações. Dez dias depois foi solto com tornozeleira eletrônica.
Esse episódio foi o que trouxe a público o caso que envolve diversas possíveis fraudes. As acusações são de que o banqueiro vendeu carteiras de crédito falsas ao BRB (Banco Regional de Brasília, de economia mista sob o controle do governo do Distrito Federal), usou fundos para inflar resultados financeiros de maneira fictícia, lavagem de dinheiro (inclusive do PCC), fraudes em contratos de empréstimos consignados junto ao INSS, ocultação de sócio etc. Resumindo: uma pirâmide financeira em cima da outra.
O impacto financeiro da queda do Grupo Master já se aproxima dos R$ 50 bilhões, sendo que as investigações não se encerraram e a cada dia surge uma nova ligação. O grosso desse valor já está sendo pago pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos), equivalendo a mais de 30% do total do fundo. Porém haverá valores a serem pagos pelo BRB também, além das situações de prejuízo de diversos fundos de pensão.
Ao lado de Vorcaro estão outros nomes importantes de se conhecer: João Carlos Mansur, Maurício Quadrado, Nelson Tanure e Antônio Carlos Freixo Junior.
Mansur é o fundador do fundo de investimentos Reag, que já tinha sido alvo da operação Carbono Neutro, com investigação relacionada à lavagem de dinheiro do PCC. No caso do banco Master, o fundo de Mansur era parte de negociações fraudulentas, nas quais se inflava artificialmente o patrimônio da instituição para parecer mais robusta e ter acesso a novos aportes financeiros.
Quadrado foi sócio do Master, é dono de uma corretora chamada Trustee DTVM, já era investigado por fraude na valorização artificial das ações da Ambipar e também alvo da Carbono Neutro por suspeita de ser parte da lavagem de dinheiro do PCC. No caso do Master essa sua empresa prestava serviços para o banco e estava envolvida nos esquemas.
Com ele aparece Tanure, tanto nos esquemas da Ambipar, quanto da lavagem para o PCC e também no caso do Master. Há outras denúncias contra ele e negócios envolvendo Vorcaro, como no da construtora Gafisa, também por operações fraudulentas. Por tudo isso está sendo considerado o “sócio oculto” de Vorcaro, um dos que mais tem experiência no mercado financeiro e que menos aparece.
Por fim Freixo Junior, também dono de uma empresa de investimentos. Além da participação nas fraudes financeiras (tanto na Carbono Oculto quanto na Compliance Zero), é acusado de buscar ceiar um conglomerado de mídia, que ajudasse o grupo na disputa das narrativas. Já havia comprado a operação digital da Editora Três (da revista IstoÉ), associou-se ao Brazil Journal (mídia ligada à Faria Lima, centro financeiro de São Paulo) e quase comprou a empresa dona dos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas.
Antes de irmos às conexões com o poder devemos citar uma última empresa: a holding Fictor. No final do ano, pouco antes da liquidação do Master, essa empresa apareceu com a promessa de ser a salvadora do banco. Dizia ter R$ 3 bilhões para efetuar a transação. Eis que, “de repente”, 3 meses depois, entra em recuperação judicial declarando dívida de mais de R$ 4 bilhões. Mais um CNPJ bilionário que não tinha lastro algum.
Relações entre empresas privadas e setores públicos: ligações nacionais com a direita…
Não há corruptos sem que haja corruptores: o objetivo de toda corrupção é favorecer interesses privados, os quais incidem diretamente sobre o que é público. Vejamos até onde avançam os tentáculos do Banco Master, que sequer era um dos maiores bancos do país.
No poder executivo já se sabe de inúmeras relações, tanto municipais, quanto estaduais e federais. O banco Master (ainda sob o nome de Máxima Corretora, a mudança de nome foi em 2021) passou ao controle de Daniel Vorcaro em 2017 e a venda em definitivo foi oficializada em 2019, sob o governo de Jair Bolsonaro (PL). Essa compra foi autorizada pelo Banco Central, então presidido por Roberto Campos Neto, indicado ao cargo pelo próprio Bolsonaro.
Em sua tentativa frustrada de reeleição em 2022, o ex-presidente e atual presidiário recebeu doação eleitoral de Fabiano Zettel no valor de R$ 3 milhões, posicionando este como o maior doador de Bolsonaro naquela eleição. Zettel é outro que foi preso no início do ano (acusado de práticas criminosas contra o sistema financeiro nacional) quando estava prestes a fugir do Brasil, mas foi solto no mesmo dia.
Zettel é cunhado de Vorcaro e pastor da Igreja Batista da Lagoinha (liderada por André Valadão, os quais possuem relações próximas com o deputado Nikolas Ferreira, do PL-MG). É também CEO da empresa de investimentos Moriah Asset e foi diretor da Super Empreendimentos, empresa que comprou mansão de R$ 36 milhões em Brasília usada por Vorcaro e que pertence a um fundo gerido pela Reag de Mansur. Também tinha participação no controle acionário do Brazil Journal que citamos no início deste artigo.
Também relacionado com Vorcaro e parte desse núcleo político é Augusto Lima, o Guga Lima. Ele é banqueiro, ex-CEO do Master e atual dono do banco Pleno. Está com tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. A esposa dele é Flávia Peres Lima, que antes de ser Lima era Arruda, pois era casada com José Roberto Arruda, ex-governador do DF quando ambos eram filiados ao PL. Ela chegou a ser ministra chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro e deputada eleita pelo PL.
Guga Lima também é amigo pessoal de João Roma, presidente estadual do PL na Bahia, ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro e ex-deputado federal. João Roma teve como assessor Ronaldo Vieira Bento, que também foi ministro da Cidadania de Bolsonaro e se tornou diretor do banco Pleno, de Guga Lima.
Vale lembrar que o dono do PL é Waldemar da Costa Neto, preso nas investigações sobre o mensalão, ocorrido no primeiro governo Lula (PT). Ele foi considerado um dos articuladores do esquema, quando era base do governo. O vice de Lula na época do mensalão era José de Alencar, empresário filiado ao PL no primeiro mandato de Lula e ao Republicanos no segundo.
… ligações nacionais e estaduais com o PT…
Já em dezembro de 2024 foi com o presidente Lula a reunião de Vorcaro, bem antes das atuais investigações, mas poucos meses após a tentativa de Vorcaro de vender letras financeiras para a Caixa Econômica Federal. Tal reunião, que aconteceu fora da agenda oficial, foi organizada por Guido Mantega, ex-ministro da fazenda de Lula e Dilma.
Também estavam presentes Guga Lima (mencionado anteriormente), Rui Costa (ex-governador da Bahia pelo PT e atual ministro da Casa Civil), Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia) e Gabriel Galípolo (então indicado de Lula ao Banco Central).
Segundo Lula, a reunião teria sido motivada por reclamações de Vorcaro sobre suposta perseguição e teria sido prometido ao banqueiro uma “análise técnica” do BC. Não há informações detalhadas sobre o que seriam as ditas “perseguições”, mas o caso da recusa da Caixa é bem interessante.
Os diretores do banco responsáveis por negar a compra foram afastados de seus cargos logo em seguida, o que mostra que havia alguma pressão interna para que o negócio fosse concretizado. Não se sabe ainda se os dois casos estão relacionados, mas não descartamos.
Ainda em âmbito nacional houve a passagem de Ricardo Lewandowski pelo conselho do Master, bem como a prestação de consultoria jurídica ao banco por parte de seu escritório, no valor de R$ 5 milhões. O ex-ministro do STF e ex-ministro da Justiça de Lula foi indicado a Vorcaro por Jaques Wagner (PT), ex-governador da Bahia, atualmente senador e líder do governo no Senado.
Vejamos agora em nível estadual. Em 2018 o então governador da Bahia, Rui Costa, privatizou o antigo programa Cesta do Povo (ligado à estatal EBAL – Empresa Baiana de Alimentos), que era uma rede de supermercados populares. A venda foi tocada por Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico do governo baiano, que baixou o preço da estatal de R$ 81 milhões para R$ 15 milhões e ainda fez os cofres públicos assumirem as dívidas, que chegavam a R$ 600 milhões.
Parte desse processo foi a criação do CredCesta: o cartão que era mero instrumento de compras na Cesta do Povo passou a ser um instrumento de crédito consignado para funcionários públicos, graças a um decreto de Rui Costa poucos dias após a privatização. Não bastasse isso, Rui Costa ainda publicou decreto – ainda em vigor – que prende os funcionários públicos estaduais ao CredCesta, não podem fazer portabilidade para onde haja juros menores.
A única empresa interessada na compra da EBAL, chamada NGV, pertencia a um espanhol chamado Ignacio Morales, que havia se reunido com aquele mesmo Guga Lima e o governo baiano dois meses antes. A diretora da NGV tornou-se advogada do banco Master e é diretora de um instituto fundado por Guga Lima.
O CredCesta foi parte do banco Master quando Guga Lima era CEO por lá. Nesse período se espalhou pelo país, estando em quase todos os estados, o que, por se tratar de consignado para funcionários públicos, exige negociação com os governos estaduais ou municipais.
Na mesma época também conseguiu autorização do INSS para operar crédito consignado para os beneficiários da previdência nacional, ligando o escândalo do banco Master ao escândalo do INSS. Na CPMI do INSS houve um acordo entre parlamentares governistas e oposicionistas para barrar as investigações dessa ligação, a de aliados de Lula e a de aliados de Bolsonaro.
… ligações estaduais com a direita e o centrão…
Por outro lado tivemos, nas eleições de 2022, a doação de campanha de Zettel para a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo. No caso o valor foi de R$ 2 milhões, a maior recebida pelo candidato naquele ano. Somado aos R$ 3 milhões doados para Bolsonaro, Zettel “desembolsou” um total de R$ 5 milhões naquelas eleições, colocando-o como o sexto maior doador eleitoral do país em 2022.
Indo para o DF, governado por Ibaneis Rocha (MDB), temos a compra de carteiras de crédito do banco Master no valor de R$ 12,2 bilhões pelo BRB, iniciada em julho de 2024. Meses depois foi tentada a compra do próprio banco de Daniel Vorcaro pelo banco brasiliense, que foi barrada pelo Banco Central. Além das suspeitas de fraude financeira havia também no acordo a cessão de parte das ações do BRB, seu comprador, bem como uma vaga para Vorcaro no conselho do banco.
Foi descoberto depois que Vorcaro, Mansur e Quadrado tinham participação nas ações do BRB, ultrapassando 14%, fatia bastante relevante. A suspeita é de que essa movimentação anterior teria sido feita para, sendo parte do quadro societário do BRB e turbinando seus números, depois pudessem ser parte da compra do Master pelo próprio BRB.
Ciro Nogueira (senador pelo PP-PI e ex-ministro chefe da Casa Civil de Bolsonaro) e Antônio Rueda (presidente do União Brasil) também aparecem como interlocutores dos negócios no Distrito Federal. Ciro Nogueira tentou inclusive embalar uma emenda a uma PEC de 2023 para aumentar os valores cobertos pelo FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Tentativa semelhante foi feita em 2024 Filipe Barros, do PL-PR. Ambas sem sucesso.
Também estão sob investigação pela PF as suspeitas de fraudes envolvendo a previdência dos funcionários públicos estaduais do Rio de Janeiro e do Amapá. Na esfera dos municípios são 17 sob investigação, em diversos estados Em alguns deles os próprios prefeitos estão na mira. Todos esses casos são devido aos investimentos feitos pelos respectivos fundos de previdência em fundos ligados ao Master.
… ligações municipais diversas…
Entretanto, o município que mais chama a atenção é o de Porto Seguro-BA: um beach club, empreendimento de lazer, estimado em R$ 25 milhões, que estava sendo construído em área de preservação ambiental. A empresa responsável? Pertencente ao pai e à irmã de Daniel Vorcaro (aquela mesma, esposa do pastor Fabiano Zettel).
A obra foi embargada, porém possui, segundo Genaro Campos – o responsável legal pelo empreendimento – alvará de funcionamento. A prefeitura, governada por Jânio Natal (PL) não se manifestou sobre as irregularidades.
… e mais ligações no legislativo e no judiciário
Quanto ao poder legislativo acabamos já mencionando as figuras centrais que apareceram até aqui: os senadores Jaques Wagner (PT-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Outros nomes, seja de possíveis envolvidos e/ou entre os que de alguma forma buscaram blindar envolvidos, são os dos deputados Artur Lira (PP-AL, ex-presidente da Câmara, para proteger seu aliado prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, do PL), João Bacelar (PL-BA) e Cláudio Cajado (PL-BA).
Vamos agora ao poder judiciário. O primeiro nome que apareceu como suspeito foi o do ministro do STF Dias Toffoli. Num primeiro momento ele tomou algumas atitudes incomuns ao centralizar toda a operação Compliance Zero consigo. Depois as investigações começaram a suspeitar que ele teria negócios com Vorcaro e Zettel através de familiares seus – um resort na divisa do Paraná com São Paulo.
Toffoli negou veementemente sua participação nesse negócio, porém declarações de sua cunhada, de funcionários do resort e depois o aprofundamento da investigação fizeram com que ele acabasse admitindo que era acionista do fundo de investimentos Mariadt. Ou seja: mentiu descaradamente para todo mundo. Pela pressão acabou deixando o caso Master.
Outro nome da cúpula do judiciário envolvido é Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia de sua esposa e seus dois filhos foi contratado pelo banco Master em 2024. A atuação envolveria a defesa da empresa em diversos âmbitos para além da justiça (Banco Central, Receita Federal, Congresso Nacional…).
O valor era de R$ 3,6 milhões por mês. Caso tivesse ido até o final previsto, em 2027, o total pago ao escritório teria sido de R$ 129 milhões. Como o contrato foi interrompido diante da liquidação do banco, a família de Moraes recebeu “apenas” ao redor de R$ 79 milhões.
Como vemos, mesmo um banco de porte médio consegue ter muitas relações na política tradicional. E as investigações ainda estão em andamento, com muitas informações ainda a serem confirmadas e provavelmente muitas ainda a serem reveladas. Por isso as chances de tudo terminar em pizza são enormes.
Mas façamos um exercício imaginativo. Suponhamos que ao final se comprove que tudo tenha sido feito dentro das regras legais, sem pirâmides financeiras, sem fraudes, sem golpes (o que duvidamos muito). Para nós a lição mais importante é de como fica muito nítido a serviço de quem está o Estado e suas instituições.
Ainda que executivo, legislativo e judiciário tenham por vezes algumas desavenças, quando a situação aperta é possível ver como estão juntos na proteção da dita “liberdade econômica” no capitalismo, dos “segredos empresariais”, da defesa que a própria Constituição Federal faz da “propriedade. Ou seja: de ganhar ainda mais dinheiro , diante de um país cada vez mais precário e explorado. Só podemos imaginar o que não acontece nos níveis empresariais mais altos.
Até que ponto esta democracia é mesmo democrática?
Segundo dados oficiais, a população carcerária brasileira é de 938 mil pessoas. Apesar de sermos a sétima maior população mundial, no ranking carcerário estamos em terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos (terceira maior população, primeiro lugar em prisões) e China (segunda maior população e segundo maior encarceramento)
Desse total, 70% são pessoas negras, num país onde negras e negros são em torno de 56%. Notemos também que entre 30% e 40% do total estão presos preventivamente, ou seja, sem nenhum julgamento – consequentemente sem nenhuma condenação – e por isso mesmo legalmente ainda não são culpadas.
Desses, 75% são negros. Para não falar dos números da violência nas cidades, que vitimam grande parte dessas pessoas que, não fossem mortas, estariam presas.
Enquanto isso vemos neste artigo uma lista de relações pessoais e políticas que parece não acabar. Só gente rica e poderosa. Enorme maioria de pessoas brancas. Onde elas estão? Em liberdade. Apenas Vorcaro está com tornozeleira eletrônica, podendo desfrutar de suas mansões.
Gente que tentou fugir do país, gente que afetou profundamente diversas empresas para maximizar seus lucros. Empresas cujos trabalhadores vão acabar sendo penalizados (como as Lojas Americanas, que fecharam diversas unidades e demitiram em torno de 10mil pessoas após os donos quebrarem a empresa propositalmente).
Gente que gerou rombos em fundos de pensão de funcionários públicos, os quais contavam com uma aposentadoria ao final da vida laboral e agora não sabem o que vai ser do seu futuro.
Ou mesmo a população mais em geral, como a do DF, que vai ver ainda mais dinheiro público sendo utilizado para salvar empresas, o que com certeza vai gerar ainda mais cortes nos serviços públicos.
É por essas e outras que seguimos afirmando que o governo do Estado no capitalismo nada mais é que o gerenciamento dos negócios comuns da burguesia. A classe trabalhadora não tem controle algum sobre nada, tudo é definido entre os grandes empresários e seus representantes nos 3 poderes.
Não há democracia de fato, há apenas algumas liberdades democráticas. Elas são importantes para lutar, mas no fundo são utilizadas apenas enquanto convém: sempre que a burguesia se sente ameaçada ela ataca essas liberdades. Quando isso acontece só a classe trabalhadora tem condições de defender tais liberdades.
Só que no fim das contas elas acabam sendo usadas também como forma de chantagem quando são ameaçadas. Como se nós devêssemos simplesmente baixar a cabeça e aceitar tamanha bondade desses senhores com sua democracia burguesa, democracia dos ricos, corrupta por natureza.
Como nós classe trabalhadora devemos nos portar diante de tamanho absurdo?
A primeira coisa que seria necessário haver é a quebra total dos sigilos bancários e fiscais de todos os envolvidos. É preciso saber quem está ligado a quem: empresas e indivíduos, empresários e membros das instituições estatais dos 3 poderes.
Junto a isso uma investigação profunda sobre todos, sem exceção. Inclusive sabendo que são grandes as chances de se ampliar a quantidade de relações reveladas e de envolvidos.
Em seguida deveria haver a prisão e o confisco de todos os bens desses que se aproveitaram de esquemas fraudulentos e de relações políticas. Esse dinheiro deveria ser usado primeiramente para cobrir os buracos financeiros que afetam diretamente a população trabalhadora (fundos de pensão, juros absurdos de consignados, desembolsos do governo do DF para cobrir o BRB etc.).
Por fim, a estatização do sistema financeiro e o fim dos segredos financeiros, possibilitando maior controle sobre essa ciranda. A “liberdade econômica” que os defensores do capitalismo pregam é na verdade a liberdade do enriquecimento cada vez maior dos capitalistas, às custas da classe trabalhadora e dos pequenos negócios, que muitas vezes tem rendimentos tão baixos quanto os de quem vive de salário. Enriquecimento esse inclusive feito a todo custo, como um vale-tudo, pois para eles os fins justificam os meios.
Mas aqui surgem dois problemas que se interligam: quais são as chances de tudo isso acontecer? E caso acontecessem, resolveriam alguma coisa para nós trabalhadoras e trabalhadores? Na sociedade em que vivemos, capitalista, onde o poder está nas mãos dos donos e as donas do capital, as chances são mínimas. Uma pizza é bem mais provável.
Mudar radicalmente o país!
Nesse sentido é importante exigir estas medidas, dada a necessidade de que acontecessem. Porém, ao mesmo tempo, precisamos destacar como não há qualquer interesse por qualquer uma das instituições de que as investigações avancem de maneira tão irrestrita.
Menos ainda vão pretender punir financeiramente os culpados de maneira tão severa. Até porque podem ser eles mesmos os próximos a sentarem-se no banco dos réus.
Esses são os limites impostos pelo fato de o poder estar nas mãos da burguesia. Ela sempre dá um jeito de manter seu sistema de pé, cobrir os rombos mais visíveis, rifar alguns personagens e passar a ilusão de que tudo se resolveu, que eram apenas algumas “maçãs podres”.
Por isso é preciso entrar na disputa pública pelos rumos da sociedade, a disputa entre os diversos programas que se apresentam. E o programa que tem condições de efetivar as medidas apresentadas acima é o programa do controle operário e do poder operário.
A lei burguesa garante o sigilo total de todos os negócios burgueses, tanto dos valores quanto das relações envolvidas. Garante também que as posses desses indivíduos não seja tocada, que permaneçam em sua condição de burgueses, mesmo em caso de que sejam condenados e cumpram alguma pena.
E sobretudo: garante que o mercado financeiro não seja controlado, ou que o Estado intervenha sempre que seja preciso salvar os negócios. Mesmo os defensores do liberalismo econômico, do “Estado mínimo” são os primeiros a recorrer ao Estado (que é financiado sobretudo por nós classe trabalhadora) quando precisam fazer grandes investimentos ou salvar seus negócios. E o Estado o faz, independente de quem seja o governo de plantão, pois o papel do Estado burguês é esse.
A organização e a luta da classe trabalhadora devem servir para que avancemos no sentido do estabelecimento do poder operário. Em outras palavras: que seja a classe trabalhadora que mande na sociedade. Que o Estado burguês seja destruído, sendo substituído por um Estado Operário. Só assim se abre a possibilidade de uma verdadeira democracia para nós, a partir de que tenhamos o poder em mãos de maneira coletiva.
A partir daí poderemos reorganizar a sociedade de forma que toda a riqueza produzida esteja a serviço de suprir as nossas necessidades, e não para enriquecer cada vez mais essa minoria de hoje. Assim se estruturaria uma sociedade socialista.

