VOS-Indaiatuba
Na segunda e terça feira de carnaval os trabalhadores da coleta de lixo em Indaiatuba fizeram greve. Os motivos foram relativamente simples: as más condições de trabalho e salário.
É uma categoria profissional que, como em todo o país, trabalha demais, exposta a sol e chuva, calor e frio, contato com todo tipo de lixo, sujeita a todo tipo de contaminação.
Além disso, é constante na Corpus (empresa privada que faz esse serviço em Indaiatuba) o descumprimento do pouco que temos de direitos na legislação trabalhista: tem desvio de função, tem excesso de horas extras, tem falta de alimentação, tem falta de socorro diante de acidente….
Mesmo assim a empresa tentou endurecer a situação, inclusive com tentativa de demissões por justa causa já na segunda feira. Mas a força da luta permaneceu no dia seguinte, obrigando a empresa a receber uma comissão de grevistas.
No fim do dia saiu uma vitória parcial importante: 25% de reajuste no vale alimentação, pagamento dos dois dias de paralisação, seguimento nas negociações das demais reivindicações com a participação da comissão de trabalhadores formada e estabilidade para todos enquanto essa negociação estiver em curso.
Com isso foi votada a suspensão da greve para dar sequência nas negociações, apesar de a empresa ter retirado a justa causa, mas não as demissões. Não temos dúvida de que foi uma demissão por perseguição sobre esses trabalhadores, para tentar desmoralizar o movimento deles, que é tão importante.
Por isso a luta segue, e nós seguimos junto. O primeiro ponto passou a ser a reintegração imediata dos demitidos, mas o restante das reivindicações segue de pé.
Custo de vida e condições de trabalho
Indaiatuba é uma cidade onde o custo de vida tem subido assustadoramente. A abertura de novos bairros e em especial de condomínios possui um ritmo alucinante.
No entanto, a maior parte desses esforços é para pessoas com melhores condições financeiras. Essa elitização tem expulsado cada vez mais famílias trabalhadoras para bairros mais distantes e também para as cidades ao redor, em especial para a cidade de Salto. O efeito colateral é que nessas cidades também já se sente os preços aumentando.
Isso faz os setores pior remunerados da nossa classe terem cada vez mais dificuldade de viver na região com os salários que as empresas pagam. Ou mesmo com os ganhos de quem vive de aplicativos ou outras maneiras que se precisa inventar para ganhar a vida, pagar as contas e alimentar suas famílias.
Nesse sentido a greve mostrou uma lição importante: a classe trabalhadora precisa confiar em si e se organizar para enfrentar os patrões e governantes. Afinal o dinheiro deles vem do nosso trabalho, por isso a lógica deles é sempre de aumentar seus ganhos em cima de quem trabalha.
A nossa lógica deve ser o oposto. Deve ser a lógica da coletividade e da solidariedade para enfrentarmos juntos essa sede de lucros.
A organização para lutar
O primeiro refúgio que os trabalhadores buscam para tocar suas lutas econômicas é o sindicato que os representa (ou que deveria representar). Só que neste caso não tiveram apoio (como infelizmente acontece na grande maioria das vezes). Aliás, pior ainda: o Sinditerceirizados, em vez de representar os interesses dos trabalhadores, estava junto com a empresa no ataque à greve.
Isso fez os trabalhadores buscarem outros apoios, como o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, que se somou à luta. A legislação trabalhista e sindical tenta impôr a divisão da nossa classe por empresas, regiões e categorias profissionais. Mas é preciso a solidariedade entre nós trabalhadores, pois toda luta, por menor que pareça ser, é uma luta de todos nós.
Sobre os próximos passos
Essa greve já trouxe duas importantes conquistas: o enfrentamento organizado contra a empresa e o apoio enorme que se vê na cidade. São duas coisas muito importantes pensando na sequência dos enfrentamentos, porque a nossa luta não para.
Sem isso seria muito mais difícil avançar. Mas tendo esses dois trunfos se ganha mais força para impôr à empresa o cancelamento das demissões, que é a prioridade no momento. E ao se ter uma vitória nesse ponto vai haver ainda melhores condições para alcançar as outras reivindicações.
Conquistar essas melhorias nas condições de trabalho e salário vai ajudar enormemente esses trabalhadores, por isso temos que nos dedicar ao máximo para isso. Mas ao mesmo tempo precisamos olhar mais adiante também.
É preciso reestatizar os serviços hoje feitos pela Corpus. Criar uma empresa municipal, efetivar nela os atuais funcionários e colocá-la sob o controle desses trabalhadores. Esta é uma necessidade tanto para quem trabalha na empresa quanto para o conjunto da classe trabalhadora indaiatubana.
Não porque o Estado esteja do nosso lado e tudo se resolva da noite para o dia dessa forma. Seria ilusão acreditar nisso, pois o Estado e suas instituições (neste caso, a Prefeitura e a Câmara) pertencem aos grandes empresários e seus representantes políticos.
O serviço ser assumido pela prefeitura eliminaria o intermediário chamado Corpus. Isso faria com que o dinheiro gasto todos os anos pela prefeitura pudesse ser investido integralmente no serviço. Sem gastar com o lucro que esses empresários embolsam se apoiando nas péssimas condições de vida dos trabalhadores (e que nós nem sabemos qual é o tamanho desse lucro).
Outro efeito seria elevar as condições desses trabalhadores aos dos servidores públicos municipais. Esta categoria também tem lutado todos os anos contra os ataques da prefeitura, mas ainda assim suas condições de trabalho e salário são bem superiores às que tem na Corpus.
E por fim ainda traria mais força ao SSPMI – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Indaiatuba, entidade importante na cidade.
Obviamente toda a classe patronal da cidade, do estado e até do país vai fazer de tudo para que nada disso aconteça, pois tamanha vitória traria força às enormes insatisfações que existem hoje na classe trabalhadora.
Até onde esta luta precisa ir?
Este é mais um motivo para somarmos esses pontos às reivindicações de toda a classe trabalhadora. Uma luta dessa pode ser a faísca que inicie um processo de lutas ainda maior, que se enfrente com todos os governos.
Inclusive com Lula e Tarcísio, que também governam para os grandes empresários, que também avançam na piora das nossas vidas, que também avançam com privatizações para atender aos interesses dos grandes empresários.
O programa dessa luta deve ser o programa da revolução socialista, ou seja, que a classe trabalhadora tome o poder da burguesia. Que derrube este Estado para construir outro no lugar, controlado pela classe trabalhadora organizada, a partir das fábricas e demais locais de trabalho, estudo ou moradia.
Esta é a única forma de colocar toda a riqueza produzida por nós classe trabalhadora a serviço das nossas necessidades em vez de enriquecer um punhado de patrões, sejam eles brasileiros ou estrangeiros.
Se você também concorda que é preciso uma saída dessa, venha para a VOS – Voz Operária Socialista!

