Todo apoio à greve dos trabalhadores dos Correios!

por Camilo Martin

Na noite da última terça-feira, 16 de dezembro, os trabalhadores dos Correios aprovaram greve em vários estados do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará e Paraíba.

Após meses de enrolação e intransigência por parte do governo Lula, os trabalhadores resolveram cruzar os braços. Longe de qualquer diálogo com os trabalhadores, a empresa e o governo federal sustentam uma proposta que retira diversos direitos dos trabalhadores.

Para se ter uma idéia, a empresa defendeu, em audiência de conciliação no TST (Tribunal Superior do Trabalho), uma proposta que ataca diversos direitos históricos como fim do vale de final de ano (o vale-peru), redução dos 70% pagos em férias, retirada da empresa como parte responsável por manutenção do plano de saúde. A situação ficou pior quando o ministro Fernando Haddad declarou que não havia garantia de pagamento do décimo terceiro. Um verdadeiro desrespeito a poucos dias das festas de fim de ano.

Junto destas reivindicações soma-se a luta contra o sucateamento, como parte do processo de privatização da empresa, melhores condições de trabalho, contra o assédio moral institucionalizado, além da necessidade urgente de Concurso Público para reposição de quadro de funcionários, que tem causado um ritmo de trabalho alucinante com sobrecarga de trabalho e adoecimentos.

A situação dos Correios é responsabilidade do governo Lula!

A greve acontece em meio a uma grave crise dos Correios e o governo tem responsabilidade central nesta situação. Se é verdade que o sucateamento da empresa não é uma novidade, esta situação se manteve durante o atual governo. Longe das promessas de Lula de interromper as privatizações, a política neoliberal do Arcabouço Fiscal conduz a estatal pelo mesmo caminho de precarização uma vez que limita a capacidade de investimento na estatal e na valorização dos trabalhadores, ou seja, asfixia as estatais e o serviço público para garantir o pagamento da dívida pública aos banqueiros, a bolsa-banqueiro.

Já faz tempo que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, tem demonstrado o interesse em avançar na privatização, por meio do que ele chama de “parcerias” e da necessidade de avançar em “modelos de gestão privada para “modernizar” a empresa”, um processo de privatização fatiada, que entrega as partes lucrativas da logística ao capital privado e dificultando a possibilidade de existência da empresa. Desta forma, à sua maneira, o governo Lula se soma aos governos anteriores no processo de desmonte dos Correios e ataque aos trabalhadores ecetistas. Na semana passada, Rui Costa foi além e chegou ao cúmulo de ameaçar diretamente os trabalhadores dizendo que se tivesse greve ele ia encaminhar a privatização.

A Burocracia tentou segurar o movimento mas foi atropelada!

A greve deflagrada se estendeu pelas principais bases da categoria e isso aconteceu graças a uma rebelião de base contra as diretorias das duas federações, FINDECT (dirigida pela CTB) e a FENTECT (dirigida pela CUT) que, depois de mais de 5 meses de enrolação, tinham como orientação para as assembleias não votar a greve (mantendo o estado de greve) postergando o movimento e, consequentemente, o enfraquecendo.

Essa posição de CTB e CUT tem um motivo: a principal preocupação destas centrais é proteger o governo a todo custo, independente da grave situação pela que passam os trabalhadores e a grave crise dos Correios. Eles têm rabo preso com o governo e, desta forma, cumprem o papel de proteger justamente o “patrão” contra os interesses dos trabalhadores.

A pressão pela base dos trabalhadores atropelou essa orientação da direção da categoria e votou a greve que está forte e crescendo, mas que não conta com nenhum apoio do Sindicato que faz corpo mole como uma nova tática para enfraquecer o movimento, já que foram derrotados nas assembleias Brasil afora.

Apoiar a greve e defender os Correios é parte da luta pela soberania nacional

A manutenção dos Correios como empresa 100% pública e estatal é uma questão de soberania nacional. Países imperialistas e centrais no capitalismo, como os Estados Unidos (com o USPS) e nações da Europa, mantêm seus serviços postais sob rígido controle estatal. Entregar esse setor ao capital estrangeiro ou a grandes conglomerados privados é perder o controle sobre o fluxo de informações, mercadorias e, em última instância, sobre a segurança do próprio território.

Além disso, os Correios cumprem um papel insubstituível na integração nacional. Enquanto empresas privadas como Mercado Livre, Amazon ou FedEx focam apenas nos grandes centros urbanos onde o lucro é garantido (o “filé mignon”), são os Correios que garantem a cidadania no “osso”: nas pequenas cidades do interior, nas comunidades ribeirinhas e nas periferias. A privatização ou o sucateamento favorecem apenas os grandes conglomerados de e-commerce, que desejam usar a estrutura pública para maximizar seus lucros, deixando a população mais vulnerável a preços abusivos e a um “apagão postal” nas regiões remotas.

A defesa dos Correios e dos direitos dos trabalhadores se combinam com a luta em defesa da soberania nacional e contra o projeto de subordinação que o imperialismo tem para nosso país e que acaba relegando para a nossa classe trabalhadora e a maioria do povo, superexploração, miséria e desigualdade. Uma história que se repete de certa forma desde os nossos tempos de colônia. Por isso, é preciso fortalecer estas lutas, desde as suas demandas mais imediatas, mas com uma visão estratégica contra o governo e esse sistema capitalista que segue pilhando o país e destruindo a condição de vida dos trabalhadores e dos serviços públicos.

Unificar as Lutas: Ecetistas e Petroleiros em greve!

A luta dos correios não pode ser isolada. O ataque que sofrem os ecetistas é o mesmo que sofrem os trabalhadores da Petrobras, onde a terceirização e o foco na exportação de óleo cru em detrimento do refino nacional continuam a ditar as regras.

É preciso superar a divisão e o imobilismo da burocracia sindical da CTB e CUT, fortalecendo a organização da base em cada piquete, e reforçar o chamado urgente à unificação da greve dos Correios com a dos petroleiros, com manifestações e atividades conjuntas para fortalecer a luta. Neste processo de defesa dos direitos, é preciso aprofundar a luta contra as privatizações e a política econômica neoliberal do governo Lula, que, através do Arcabouço Fiscal, mantém o torniquete no serviço público.

Somente a classe trabalhadora organizada, independente de governos e patrões, pode barrar o retrocesso, por isso é preciso, na luta, forjar uma alternativa política socialista e revolucionária que tenha como alternativa a construção de um governo dos trabalhadores contra todas as representações dos patrões, seja da suposta “esquerda”, do centrão ou da direita e extrema direita.

Todo apoio à greve dos Correios! Contra a privatização e o sucateamento! Por uma empresa 100% Pública e Estatal sob controle dos trabalhadores!

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