ESTRATÉGIA E ORGANIZAÇÃO
Toda a classe trabalhadora, que é quem sobrevive da venda da sua força de trabalho, é essencial para o capitalismo, pois é justamente quem faz a sociedade funcionar, que faz a economia girar. É daí que os patrões tiram sua sobrevivência: dos lucros extraídos do trabalho alheio.
O operariado e seu papel social
Mas então o que significa ser operário? O operariado é a parte da classe trabalhadora que trabalha na indústria. É na indústria que se gera todas as riquezas existentes na sociedade, é onde se transforma as matérias primas em produtos, gerando novo valor.
A diferença entre o valor produzido coletivamente pelos operários e o que recebem como salário é o lucro. Essa diferença, também conhecida como mais-valia, vai ser distribuída entre todos os setores da burguesia através da circulação das mercadorias.
Ou seja: é o trabalho coletivo de operárias e operários (a classe trabalhadora industrial) que gera novo valor ao produzir mercadorias. Bem como é o trabalho do restante da classe trabalhadora que garante a circulação delas.
Toda a nossa classe é necessária para o capitalismo, eles não sobrevivem sem nós. Mas toda a riqueza é produzida na indústria, por isso é o coração do capital.
Proletários e operários invisíveis
Essa relação é a base do funcionamento da sociedade burguesa: a produção de riquezas é feita de maneira coletiva, é social, mas a apropriação delas é privada.
É isso que explica o porquê do tamanho da desigualdade social existente. É ela que explica por que nós e nossas famílias trabalhamos tanto, a vida toda, e ficamos sempre com a sensação de que não saímos do lugar.
Enquanto isso os bilionários ficam cada vez mais ricos. O abismo social só aumenta.
No entanto, perceber esse funcionamento não é tão fácil quanto parece. No capitalismo nós nos relacionamos com as mercadorias, não com as pessoas que as produzem.
Ao pegar um produto no mercado, a primeira coisa que vem à mente não é a produção dele, e sim as características que estamos buscando para decidir se o compramos ou não.
Esse fenômeno é parte do que chamamos de alienação: nos relacionamos com coisas (mercadorias) como se fossem seres humanos. Ao mesmo tempo acabamos nos relacionando entre nós seres humanos como se fôssemos coisas.
É a partir dessa enganação que começa a garantia da dominação deles sobre nós. As ideias que eles impõem ao conjunto da sociedade nos dividem enquanto classe trabalhadora e tornam invisível o nosso papel na sociedade. Sobretudo o do operariado.
É exatamente como a pessoa que vê a comida sobre a mesa mas não se toca da existência da agricultura e da pecuária.
Voz Operária Socialista!
Sendo assim, controlar a produção significa ter as condições objetivas, concretas, para o controle da sociedade. A burguesia é quem controla hoje, por isso ela direciona tudo para si, nos deixando apenas com o mínimo para sobrevivermos.
Se formos nós quem mandemos na sociedade, organizados, coletivamente, aí sim poderemos colocar toda essa riqueza a serviço de atender as nossas necessidades.
Por isso a voz deve ser operária: para cortar o mal pela raiz é preciso tomar o centro da sociedade. É preciso atingir o coração, que é a produção, e tomá-la para nós. Afinal, somos nós que a fazemos, somos nós operárias e operários que produzimos tudo!
União da classe trabalhadora, com o operariado à frente controlando a produção de tudo que existe: esse é o caminho para a destruição deste sistema de exploração e opressão que é o capitalismo. Precisamos acabar com o Estado burguês e construir um Estado operário, para conduzirmos cada país e todo o mundo ao socialismo.
Mas, por que a voz deve ser também socialista? Este será o tema do próximo artigo.

