O dia Seguinte ao 13 de Maio

As contradições causadas por uma abolição inacabada saltam aos olhos diariamente quando andamos pelas cidades brasileiras: exploração, violência, informalidade e guetos sociais ainda são a realidade 138 anos após a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel, em 1888.

Para entender essa dinâmica vamos voltar no tempo. A burguesia brasileira preparou as bases de dominação econômica, enquanto o medo branco diante de levantes internacionais como a Revolução Haitiana (1791–1804) e da ebulição social expressa na Revolta dos Malês na Bahia (1835), que reivindicava o fim da escravidão e a derrubada do governo local, mantinha os opressores em alerta constante.

Esse cenário resultou na criação de leis que, mais adiante, seriam fundamentais para consolidar uma estrutura de dominação e opressão. A Lei de Terras de 1850 é um exemplo disso, pois criou impedimentos para que a população negra tivesse acesso à terra e pudesse recomeçar.

Na atualidade, os massacres no campo e na cidade colocam para a população negra a tarefa de construir um programa e uma estratégia que derrubem, sem hesitação, as bases que mantêm os escravocratas de ontem e os capitalistas de hoje determinando o nosso destino. Criar uma direção que se levante contra todo modo de opressão à população negra é urgente, especialmente diante dos assassinatos praticados pelas forças policiais nas periferias, que ceifam diariamente a vida da juventude negra.

O capitalismo precisa semear o que plantou. É necessário um enfrentamento sem tréguas, pois o mundo que emerge na atualidade, com a classe operária e os trabalhadores de aplicativos — majoritariamente negros — é consequência de uma política racista e excludente. O chamado é à tomada de consciência e ao despertar contra o sistema e a exploração econômica, cultural e política, como forma de reverenciar aqueles que, no passado, foram escravizados, humilhados e subjugados.

Parafraseando o grupo de RAP DMN, na música Mova-se: “Não renasce mais a esperança, são muitas portas fechadas, somente uma aberta dizendo quem vai e quem fica, eu não estou na lista”.

A população negra é mais um elo da corrente na luta para derrubar esse sistema opressor. Nossa tarefa é construir um programa de ruptura total com o capitalismo e suas engrenagens. Governos de plantão, como o PT, vendem a ilusão de que a burguesia exploradora pode ser nossa aliada, mas, na prática, beneficiam essa classe em um mar de privilégios, enquanto oferecem migalhas aos trabalhadores precarizados e explorados.

Convocamos toda a juventude negra a construir um programa revolucionário e socialista, que nos torne livres para decidir nossos destinos. Venha construir a voz operária e socialista.

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