por Camilo Martin
O ano de 2026 começou agitado nos palácios do poder. As eleições são a prioridade para a maioria dos partidos burgueses. Dia após dia, novas notícias e pesquisas despontam, apresentando dados sobre o desempenho dos candidatos na cena eleitoral, o grau de aprovação de suas gestões e as negociatas entre os diferentes bandos políticos e econômicos.
De dois em dois anos, esse cenário se repete. Novas eleições acontecem. Muitas vezes mudam os eleitos, mas o que não muda é a situação de vida da maioria do povo brasileiro, da classe trabalhadora. Entra governo, sai governo, muda o Congresso e a realidade difícil do dia a dia se mantém e nossa vida segue ladeira abaixo.
Esse sentimento de permanência ou retrocesso, mesmo diante de mudanças nas eleições, é resultado da falsidade desta democracia. Na verdade, ela é uma democracia dos ricos, da burguesia, onde em cada eleição os grandes setores econômicos elegem suas bancadas — do agro, da bala, dos bancos, das bets etc. — e seus representantes no Executivo para gerenciar seus negócios. E todos pedindo a bênção para os países imperialistas que perpetuam nossa submissão econômica e política.
Essa é a democracia burguesa, que pode ser democrática para os de cima, como os banqueiros envolvidos no escândalo do Banco Master, mas para os trabalhadores, não. É evidente que é fundamental defender as mínimas liberdades democráticas que os trabalhadores conquistaram nesse regime, mas isso é apenas exceção à regra. Precisamos defender um projeto radicalmente alternativo para organizar a sociedade a serviço da maioria: um projeto socialista.
O povo sente o que a propaganda esconde: carestia e endividamento aumentam!
O governo Lula, na intenção de se localizar na disputa eleitoral, chegou em 2026 agitando os “grandes avanços” de sua gestão. O PT já havia feito o mesmo em seu site, no final de 2025, no artigo “Brasil no rumo certo: com Lula, desemprego cai a 5,2%”. Em suas entrevistas, os membros do governo têm batido na tecla de que a situação do país está melhorando, mas não é essa a realidade que a maioria da classe trabalhadora sente.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que o governo Lula tem os números de reprovação maiores do que os de aprovação. Na pesquisa publicada pela Quaest em 11 de fevereiro, 49% desaprovam e 45% aprovam o governo; além disso, 59% dizem não se sentir representados pelo atual governo. Já na divulgada pela Atlas/Intel em janeiro de 2026, a desaprovação era de 50,7%, enquanto a aprovação era de 48,7%. Mas o que explicaria este paradoxo de melhoria de índices enquanto a desaprovação segue em alta, superando, inclusive, a aprovação?
A verdade é que, no dia a dia, a maioria não sente estes “grandes avanços” que o governo tenta propagandear. No país, em que pese a queda dos índices de desemprego e o aumento do emprego com carteira assinada, o número de trabalhadores em condições informais chega a 40,3 milhões, segundo o DIEESE. Se somarmos aos informais os trabalhadores por conta própria sem CNPJ e os desempregados desalentados, o Brasil possui uma massa de mais de 50 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade laboral.
Já se considerarmos o “desemprego real”, ou seja, aquele que considera a taxa de subutilização da força de trabalho (que soma os desempregados, os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e a força de trabalho potencial), esse índice chega a aproximadamente 16,5% (atingindo mais de 18 milhões de pessoas) — um abismo de diferença em relação aos 6,4% anunciados oficialmente como a taxa de desocupação.
Outra propaganda é feita sobre a queda da inflação acumulada. O problema é que a queda em si apresenta apenas uma meia verdade, e toda meia verdade não passa de uma mentira no mundo real. A taxa de inflação do IPCA é composta pelas variações de preços considerando uma cesta de centenas de produtos, em nove grupos diferentes. Isso significa que o impacto da inflação média varia de acordo com o que se gasta no dia a dia. Ou seja, na ponta do lápis, existe uma inflação média que é divulgada, mas existe uma inflação real sentida pelo burguês e pelo trabalhador de maneira diferente, porque o que cada um consome em mercadorias e serviços é distinto.
Pouco importa para o trabalhador, por exemplo, se caíram os preços das passagens de avião ou do seguro de um SUV, pois isso pouco impacta no seu dia a dia, apesar de a queda destes itens poder puxar o índice de inflação do IPCA para baixo. Agora, para os trabalhadores importa muito, por exemplo, a variação na inflação dos alimentos, que é responsável por cerca de 30% de seu orçamento e que teve uma grande alta acumulada nos últimos anos. A inflação no “grupo Habitação” somou uma alta acumulada de 6,79%, superando significativamente o IPCA geral de 4,26%. Pesquisa recente da Serasa em parceria com a Opinion Box indicam que gastos com moradia, contas fixas e supermercado já consomem 57% do orçamento médio das famílias brasileiras. Para quem recebe até dois salários mínimos, esse número pode ultrapassar facilmente os 70%.
No mundo real, se tomarmos dados acumulados do IPEA de inflação por faixa de renda, é possível afirmar que as famílias com renda muito baixa sentem uma inflação de 6,5% (puxada por alimentos). Enquanto isso, famílias de renda alta sentem uma inflação de 3,8% (beneficiadas pela queda em eletrônicos, combustíveis ou serviços de luxo).
A distância entre a propaganda e a realidade fica ainda mais explícita quando usamos os dados da inflação da Cesta Básica, como propõe o DIEESE. Segundo o instituto, para que o trabalhador sustente sua família, seria necessário um salário mínimo de R$ 7.106,83. O salário mínimo hoje é de R$ 1.621,00, ou seja, aproximadamente quatro vezes menor do que o necessário. Enquanto o governo faz propaganda de que o salário médio hoje é de R$ 3.255,00, os dados da PNAD demonstram a situação real da classe trabalhadora brasileira: cerca de 35% dos trabalhadores recebem um salário mínimo e 70% recebem até dois salários mínimos. Mesmo esse salário médio, que não é capaz nem de cobrir a cesta básica, é a realidade de uma minoria e reflete, por outro lado, o grau de desigualdade no país.
Essa conta que não fecha no final do mês empurra a classe trabalhadora para uma armadilha inevitável: o endividamento de sobrevivência. Sem renda suficiente para cobrir o custo de vida real, o cartão de crédito e os carnês deixaram de ser ferramentas de consumo para se tornarem extensões do salário, utilizadas para comprar comida e pagar contas básicas como luz e água. O resultado é um cenário catastrófico em 2026, com o endividamento atingindo o recorde histórico de 79,5% das famílias, segundo a CNC. Com juros abusivos e uma massa de 30% de inadimplentes, o que o governo chama de “aquecimento da economia” é, na verdade, o sufocamento de milhões de brasileiros que limpam o nome apenas para se endividarem novamente em menos de três meses, presos em um ciclo de miséria que a propaganda oficial tenta, mas não consegue esconder.
Lula governa com os ricos e em parceria com Trump
É verdade que os últimos governos foram nefastos, com impactos profundos e degradantes sobre a maioria da vida da classe trabalhadora, mas com o governo atual a situação também não mudou. Longe da propaganda e do marketing que anuncia que o governo está “do lado do povo brasileiro”, a prática, para além do discurso, mostra que este também é um governo comprometido com os interesses da grande burguesia nacional e internacional.
A política econômica, além de não romper com o tripé clássico neoliberal inaugurado nos anos 90, não se movimentou um milímetro para revogar as Reformas Trabalhista e da Previdência, que afetam diretamente a maioria do povo. Pelo contrário, o governo foi capaz de recauchutar o antigo Teto de Gastos de Temer, a partir do Arcabouço Fiscal proposto por Haddad. Apesar do nome pomposo, a função desse mecanismo é um controle fiscal rígido — que no português claro se traduz em corte e congelamento de verbas principalmente nas áreas sociais — para garantir o pagamento dos juros da dívida pública, drenando recursos ano após ano dos cofres públicos. Para se ter uma ideia, no biênio 2025-2026, o pacote de cortes anunciado pelo governo mira uma redução de R$ 71,9 bilhões em despesas obrigatórias, atingindo em cheio o abono salarial, o BPC e a saúde, enquanto a política de valorização do salário mínimo fica limitada pelo teto de crescimento do próprio arcabouço.
Outra face desta mesma política econômica neoliberal é o prosseguimento das privatizações, expondo mais uma vez a conexão do governo com os interesses dos capitalistas. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, o número de concessões realizadas por este governo no setor de infraestrutura já supera as que ocorreram nos governos Bolsonaro e Temer. Isso para não falar das constantes ameaças feitas em favor da privatização de setores estratégicos, como os Correios e as privatizações dos rios, como no caso do Tapajós, Madeira e Tocantins que graças a luta dos povos indígenas e a ocupação do terminal portuário da multinacional Cargill em Santarém foi capaz de barrar o decreto 12.600 assinado pelo governo.
Não bastassem estes exemplos de ataques aos direitos da classe trabalhadora e aos serviços públicos, salta aos olhos a benevolência do governo com diversas frações específicas da burguesia. Para o ciclo 2025/2026, o governo ofereceu o maior Plano Safra da história, destinando um total recorde de R$ 594,4 bilhões para o setor. Desse montante, cerca de R$ 516,2 bilhões foram entregues ao agronegócio empresarial, enquanto a agricultura familiar, responsável pela mesa do povo, ficou com apenas R$ 78,2 bilhões.
No setor financeiro, o privilégio é ainda mais escandaloso. Recentemente, assistimos a um lucro recorde dos quatro maiores bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil), que somados atingiram aproximadamente R$ 125 bilhões em 2025. Esse lucro é garantido por mecanismos que o governo se nega a enfrentar, como os Juros sobre Capital Próprio (JCP) — que permitem aos bancos pagar menos impostos ao distribuírem lucros — e a manutenção de um dos maiores spreads bancários do mundo. O governo sequer executa medidas mínimas, comuns em outros países, para limitar esse dreno, como a implementação de um imposto sobre lucros extraordinários, a taxação de dividendos de grandes acionistas ou o uso agressivo dos bancos públicos para baixar os juros. Em vez disso, prefere manter os privilégios do mercado financeiro.
Neste momento, um tema estratégico em debate é o aumento do domínio — já grande — dos EUA sobre a nossa economia. É um fato a preocupação do governo americano em impor um domínio maior sobre a América Latina como resposta à crise global. Se no discurso o governo diz defender a soberania, na prática assistimos ao aprofundamento do entreguismo. O recente recuo de Trump em tensões tarifárias ocorreu após negociações em torno das reservas brasileiras de terras raras e minerais críticos, como o nióbio — do qual o Brasil detém o monopólio de mais de 90% das reservas globais.
Enquanto o nióbio é indispensável na indústria aeroespacial e nuclear, as terras raras são a “espinha dorsal” da alta tecnologia, vitais para semicondutores e motores elétricos. Para garantir o controle desses insumos, os EUA sinalizaram um fundo estratégico de US$ 12 bilhões em 2026. Esses recursos, que deveriam servir como plataforma para uma reindustrialização nacional de base tecnológica sob controle dos trabalhadores, estão sendo negociados em moldes que aprofundam a subordinação brasileira. É fundamental a divulgação pública dos termos dessas negociações: isso é um direito da classe trabalhadora.
A luta pelo fim da escala 6X1, as armadilhas nas propostas e as nossas tarefas
Após inicialmente rejeitarem veementemente a ideia de limitação da escala e redução de jornada, o governo, de olho nas eleições de 2026, recalculou a rota no sentido de fazer avançar uma proposta. Diferente do que foi dito quando o tema veio à tona pelo ex-presidente da CUT e atual Ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT) — de que a escala deveria ser tratada exclusivamente por meio de convenções e acordos coletivos — o Executivo já está se manifestando favoravelmente à aprovação da restrição da jornada de trabalho.
Essa mudança de posicionamento teve a ver com a ampla simpatia da maioria da população pela pauta, motivada justamente pelo aumento do nível de exploração e o grau de cansaço que acompanha nossa classe no último período. Foi esse apelo que não só reposicionou o governo, como também o próprio Congresso, e deixou deputados da extrema-direita, como Nikolas Ferreira, na total defensiva política. Hugo Motta, inclusive, também com o faro eleitoral aguçado, se adiantou ao governo e privilegiou as propostas surgidas na Câmara como uma jogada para dar credibilidade à sua gestão e ao Legislativo.
Embora agora a ampla maioria das forças políticas aceite que será impossível barrar o projeto, está em disputa qual será o texto de fato aprovado. Isso ocorre porque querem limitar ao máximo a conquista que a classe trabalhadora pode obter nesse processo. Embora o governo hoje afirme defender publicamente a redução sem redução salarial, ele já sinaliza às diversas forças que tem disposição de negociar longas regras de transição e compensações fiscais ao patronato, o que ameaça desidratar o conteúdo real da medida.
Setores do centrão e da extrema-direita articulam propostas que ataquem a tentativa de reduzir a jornada junto à restrição da escala. Outro caminho, já aventado quando o tema apareceu no debate público, é a tentativa de apresentar um “cavalo de troia” que, sob o pretexto de mudar a escala, propõe a flexibilização total da jornada e do salário, como a PEC 40/2025, apresentada pelo deputado Maurício Marcon (PODEMOS-RS).
Enquanto este debate central para os interesses dos trabalhadores se desenvolve nas alturas, as organizações da classe trabalhadora seguem em um verdadeiro marasmo. Isso só se explica pelo fato de as cúpulas das grandes centrais terem uma relação umbilical com o governismo, que castra a independência política da luta e esteriliza a organização de mobilizações sintonizadas com os interesses da nossa classe. Ao invés disso, as direções sindicais seguem em compasso de espera pela agenda do governo para realizarem apenas jogadas ensaiadas com este.
Neste momento, é fundamental organizar o operariado industrial e a classe trabalhadora em geral para pressionar o governo e o Congresso no sentido de avançar em uma proposta de fim da escala 6×1 com redução da jornada para 30h semanais e sem redução salarial. Isso não só é possível, como é necessário e abre um outro debate sobre quem deve pagar os custos dessas mudanças.
O esperneio que setores da burguesia têm dado — longe de ser fruto de uma “destruição da economia”, uma ladainha já tantas vezes contada para qualquer demanda de nossa classe e desmentida até mesmo pelos recentes estudos do IPEA — reflete o desagrado da burguesia em perder parte do lucro que arrancam da exploração dos trabalhadores. Somente poderemos viabilizar um projeto que expresse nossas necessidades conectando esta luta ao ataque aos lucros das maiores empresas do país.
A extrema-direita entreguista e corrupta não é alternativa para os trabalhadores
Se é verdade que o governo atual faz uma gestão voltada para os capitalistas — distanciando-se dos interesses da classe trabalhadora e da maioria do povo — a oposição de extrema-direita e a direita tradicional não representam qualquer alternativa para quem vive do próprio trabalho, muito pelo contrário.
O passado recente nos oferece provas da face destrutiva desse setor. O governo de Jair Bolsonaro não apenas deu continuidade à agenda neoliberal, como aprofundou a barbárie. Sob seu comando, o governo aprovou uma Reforma da Previdência que dificultou muito o acesso à aposentadoria e aprofundou a Reforma Trabalhista, legalizando formas de exploração que beiram a precarização absoluta. Durante a pandemia, a política negacionista do governo decretou a morte de mais de 700 mil brasileiros, enquanto o presidente desdenhava da dor das famílias. No auge da crise, o governo tentou fixar o Auxílio Emergencial em miseráveis R$ 200, valor que só subiu posteriormente para os ainda insuficientes R$ 600. No período da pandemia (2020-2021), enquanto o governo destinou apenas cerca de R$ 354 bilhões para o Auxílio Emergencial, editava medidas para garantir um pacote de R$ 1,2 trilhão para o sistema financeiro — ou seja, destinou quase quatro vezes mais para um pequeno punhado de bancos do que para 68 milhões de pessoas, protegendo os lucros dos banqueiros enquanto o povo passava fome.
A face elitista e preconceituosa dessa gestão ficou marcada pelas palavras de Paulo Guedes. Em uma demonstração de profundo desprezo, o então Ministro da Economia afirmou que o câmbio alto era bom porque, antes, “a empregada doméstica estava indo para a Disney, uma festa danada. Peraí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita”. Essa mentalidade se traduziu em números trágicos: o governo Bolsonaro entregou um país com a inflação dos alimentos chegando a picos de 15% a 20% em itens básicos, empurrando o Brasil de volta ao Mapa da Fome da ONU, com um recorde de 33,1 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave.
A política econômica da extrema-direita não trouxe benefícios, mas sim o recorde de informalidade, que atingiu mais de 39 milhões de trabalhadores sem direito algum, transformando o “empreendedorismo” em uma máscara para a sobrevivência precária. Os ataques foram sistemáticos também nas áreas sociais, com cortes brutais na Educação (confiscos em universidades federais), na Ciência e na Saúde (especialmente no programa Farmácia Popular). Somou-se a isso um ataque sem precedentes aos setores oprimidos, como o desmonte da Funai, a paralisação das demarcações de terras indígenas e o incentivo ao garimpo ilegal, que resultou no avanço do genocídio do povo Yanomami. Houve ainda, entre outros absurdos, o corte de mais de 90% nas verbas destinadas ao combate à violência doméstica, deixando as mulheres vulneráveis em um período onde os índices de feminicídio atingiram patamares também alarmantes.
Ao contrário do que afirmam em seus discursos ufanistas, demonstraram ser profundamente “anti-patriotas”. Isso ficou nítido não apenas na vergonhosa continência de Bolsonaro à bandeira dos EUA, mas em ações práticas de submissão total aos interesses de Washington. Defenderam o alinhamento automático em todos os terrenos, o que se expressou, por exemplo, na entrega da Base de Alcântara através de um acordo que feriu a soberania nacional ao permitir o controle estrangeiro sobre território brasileiro.
Na energia e recursos naturais, o entreguismo avançou com a privatização da Eletrobrás, que entregou o controle da nossa matriz energética, e o fatiamento da Petrobras, com a venda de refinarias e a entrega de blocos valiosíssimos do pré-sal para gigantes como Chevron e Exxon Mobil a preços de ocasião. Somou-se a isso a articulação para abrir terras indígenas à mineração transnacional, visando o escoamento bruto de nióbio e lítio, garantindo que o Brasil permanecesse apenas como uma fazenda e uma mina do imperialismo, sem qualquer projeto de industrialização soberana.
É preciso falar também da corrupção que corroeu as entranhas desse governo “moralista”. Longe de ser uma gestão limpa, o período foi marcado pelo esquema das “rachadinhas” envolvendo a família presidencial; o escândalo do MEC, onde pastores operavam um balcão de negócios pedindo propina até em barras de ouro para liberar verbas da educação; o esquema das vacinas (Covaxin) durante a pandemia; e o uso do Orçamento Secreto para comprar o apoio do Centrão. Essa corja, não contente com o saque aos cofres públicos, tentou um golpe de Estado para implantar uma ditadura que restringisse as liberdades democráticas, buscando limitar a resistência para aprofundar a exploração e a submissão do país.
Não podemos ter memória curta quando o assunto é a nossa sobrevivência. Se a insatisfação com o governo atual é justa e exige organização independente, a mudança não virá pelas mãos daqueles que já provaram ser inimigos viscerais dos trabalhadores. Esta coalizão de corruptos e entreguistas deve ser combatida politicamente e, inclusive, fisicamente quando houver necessidade. Hoje, entretanto, este setor tenta se recompor a partir da candidatura de Flávio Bolsonaro, jogando momentaneamente por dentro das regras do regime enquanto aguardam a próxima oportunidade para golpear novamente a classe trabalhadora.
Construir uma alternativa socialista e revolucionária!
Diante desse cenário, é urgente que os trabalhadores concentrem suas forças na organização independente e na construção de uma alternativa real àqueles que defendem o capitalismo. O sistema atual já deu provas de sua incapacidade em atender à maioria. A crise capitalista e a guerra social movida pelas potências imperialistas — e executada por governos de distintas colorações contra a nossa classe — nos oferecem como perspectiva apenas a barbárie e a decadência. Em resposta a essa realidade, temos assistido a levantes significativos, desde o Irã e Minneapolis até a recente e histórica greve geral na Argentina.
Tal como no período colonial, em que nossas riquezas eram drenadas para sustentar o nascente capitalismo europeu, hoje permanecemos em uma posição subordinada ao capitalismo. Cumprimos ainda o papel de fornecedores de commodities para o mercado global, o que longe de promover o desenvolvimento do país, resume-se à uma exploração brutal de nossas riquezas. Trump, inclusive, já deu mostras que quer aprofundar a dominação sobre o país e essa situação mostra como a “tutela colonial” dos EUA sobre Venezuela deve ser ferozmente combatida e se traduz em uma luta imediata da classe trabalhadora brasileira.
O ano de 2026 inicia-se sob desafios profundos O governo Lula que comanda o país tem mostrado na prática que não é aliado dos trabalhadores e segue a cartilha da manutenção do país em sua posição subordinada. A “esquerda capitalista” há muito trocou de lado, oferecendo apenas o prosseguimento da barbárie ao tentar administrar o capitalismo. A extrema-direita e a direita tradicional, como vimos, não nos servem e devem ser varridos da vida dos trabalhadores.
Para romper com o parasitismo desse sistema, defendemos um projeto socialista para o Brasil. Trata-se de organizar e planejar a produção em função das necessidades da maioria, e não dos lucros de uma minoria. Nenhuma alternativa política que aceite as regras do capitalismo nos serve. Por isso defendemos a construção entre os trabalhadores de uma alternativa socialista e revolucionária contra o governo Lula, que denuncie os ataques imperialistas de Trump e todas as outras faces do capital — seja a direita tradicional ou a extrema-direita —, desmascarando o papel nefasto que o Congresso e o STF desempenham nesta falsa democracia voltada contra os trabalhadores.
Por uma alternativa revolucionária e socialista!
Contra o governo Lula!
Nem extrema direita, nem PT!
Por um governo operário e socialista no poder!

