VOS-Brasil
No último dia 28/04, a Justiça condenou, em primeira instância, o dirigente do PSTU José Maria de Almeida a dois anos de prisão por suas declarações contra o Estado de Israel durante uma manifestação em apoio ao povo palestino diante do genocídio realizado pelos sionistas que levou a mais de 67 mil mortes confirmadas em Gaza..
A denúncia que originou a condenação foi feita pela CONIB (Confederação Israelita do Brasil) e pela FISESP (Federação Israelita do Estado de São Paulo), duas entidades sionistas que buscaram, com sua denúncia, relacionar o combate ao sionismo com o combate ao povo judeu. E pior: essa denúncia absurda foi julgada procedente pela justiça burguesa, condenando Zé Maria por racismo.
Essa decisão lamentável evidencia a força do lobby sionista nas instituições burguesas do Brasil, que pode ser verificada também, entre outras evidências, no projeto de lei proposto pela deputada Tabata Amaral (PSB) — que quer igualar a crítica ao Estado de Israel ao antissemitismo — e no Seminário sobre Antissemitismo realizado no Itamaraty em abril de 2026, que reuniu diversas entidades sionistas, inclusive a CONIB, e excluiu a participação de diversas organizações críticas ao Estado sionista de Israel, como os coletivos Árabes e Judeus pela Democracia, Árabes e Judeus pela Paz, Articulação Judaica de Esquerda e Vozes Judaicas por Libertação.
O sionismo não tem nada a ver com uma etnia, religião ou povo. Trata-se de um movimento político de extrema-direita surgido no final do século XIX e que sustenta o projeto colonial protagonizado por Israel, que se traduz na ocupação do território palestino desde 1948, em um regime de apartheid, e é responsável por um verdadeiro genocídio. Inclusive ontem, movido por sua sanha expansionista, causou a morte de uma criança brasileira no Líbano, ainda durante a vigência do cessar-fogo.
O crime de racismo foi cometido, na verdade, por Cláudio Lottenberg, dirigente da CONIB, que, em entrevista ao UOL em 2024, associou indiscriminadamente os palestinos a serem violentos, misóginos, homofóbicos e antidemocráticos. Já a defesa do fim do Estado de Israel e o combate ao movimento sionista, longe de ser crime de racismo ou antissemitismo, é pré-condição para garantir a vivência pacífica entre palestinos e judeus em um Estado Palestino laico e democrático.
Nos solidarizamos profundamente com Zé Maria e toda a militância do PSTU e da LIT-QI, e repudiamos essa decisão criminosa da Justiça. Estaremos ao lado dos companheiros na luta para reverter esta absurda condenação e, também juntos, seguiremos nas trincheiras para lutar pelo fim do Estado de Israel, no combate ao movimento sionista e em defesa da Palestina livre, do rio ao mar.

